“Você sua minha cidade, eu sujo sua cara” – COMPÓS 2014

“VOCÊ SUJA MINHA CIDADE, EU SUJO SUA CARA”: práticas de escrita urbana sobre a propaganda política

Laura Guimarães Corrêa, Tiago Barcelos Pereira Salgado

Resumo: Neste artigo, problematizamos o fenômeno das práticas de escrita urbana realizadas por sujeitos comuns sobre peças de propaganda política de candidatos/as a cargos públicos. Analisamos algumas dessas intervenções de contrapropaganda, sob a forma de texto e/ou de imagem, publicadas no site de rede social Facebook e a reconstrução de sentido nos novos discursos produzidos. As imagens selecionadas integram o perfil “Você suja minha cidade, eu sujo sua cara”, que protesta contra a propaganda política ilegal no espaço urbano por meio da derrisão e da subversão de sua função comunicativa original. A observação das peças e dos sentidos compartilhados nessas interações visuais suscita reflexões sobre o caráter apartidário do movimento e sobre a descrença na propaganda política, na democracia representativa e na classe política de modo geral. 

Palavras-Chave: Comunicação Visual. Crença. Intervenções urbanas. Propaganda política. 

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Disponível aqui

Perspectivismo ameríndio e direitos não humanos

Por Idelber Avelar

Dia 14/05/2014, quarta-feira, às 19:00 

Local: Auditório Prof. Luiz Bicalho (Fafich)

Realização: Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da UFMG

Resumo:

Este trabalho parte da premissa desenvolvida por Dipesh Chakrabarty em um ensaio recente, “The Climate of History”. Segundo Chakrabarty, no Antropoceno — a nova era em que os seres humanos causam dano de tal magnitude ao meio ambiente que passam a ser agentes geológicos capazes de interferir com os processos mais básicos da Terra –, já não se sustenta a tradicional distinção, relativamente estável desde Hobbes e Vico, entre história natural e história humana. O trabalho argumenta que as discussões recentes acerca do Antropoceno renovam a relevância do perspectivismo ameríndio, desenvolvido pelo antropólogo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro, e baseado na observação de uma recorrente teoria dos povos ameríndios acerca de um estágio de indiferenciação originária entre humanos e animais, no qual a condição original comum não é a animalidade, como costuma ser o caso na filosofia ocidental, mas a humanidade mesma. A abundância de narrativas ameríndias nas quais os animais, as plantas, a Terra e os fenômenos metereológicos veem a si mesmos como humanos é então analisada como um impulso antropomórfico que contém — paradoxo só na superfície — um grande potencial anti-antropocêntrico. Afinal, num mundo em que todos podem ser humanos, “ser humano não é tão especial”. O contraste entre o antropocentrismo ocidental e o antropomorfismo ameríndio é então desenvolvido com referência a sermões do Padre Antônio Vieira e às Constituições do Equador e da Bolívia, que pela primeira vez conferem aos animais, às plantas e aos corpos d’água a condição de sujeitos jurídicos dotados de direitos. A conclusão aponta para o conceito de direitos não-humanos como tarefa política urgente para a era do Antropoceno.

Idelber Avelar é professor Titular de Literaturas Latino-Americanas e Teoria Literária na Universidade Tulane, em New Orleans. É autor de Alegorias da Derrota: A Ficção Pós-Ditatorial e o Trabalho do Luto na América Latina (UFMG, 2003) e Figuras da Violência: Ensaios sobre Ética, Narrativa e Música Popular (UFMG, 2011), e coeditor de Brazilian Popular Music and Citizenship (Duke UP, 2011), entre outros livros. Colunista da Revista Fórum e ex-editor do blog “O Biscoito Fino e a Massa” (http://idelberavelar.com).